{"id":66200,"date":"2018-04-25T20:10:51","date_gmt":"2018-04-25T20:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/?post_type=product&#038;p=66200"},"modified":"2026-03-03T16:02:08","modified_gmt":"2026-03-03T19:02:08","slug":"deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/","title":{"rendered":"Deita no Cimento! &#8211; M\u00fasicas do Carnaval de Rua de Belo Horizonte 2009-14"},"content":{"rendered":"","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/soundcloud.com\/vinyl-land-records\/sets\/deita-no-cimento-m-sicas-do<\/p>\n<p>Double LP, Gatefold Sleeve<\/p>\n<p>Lado A<br \/>\n1 &#8211; Marcha da Alcova (Rafael Ludicanti e Bloco da Alcova Libertina)<br \/>\n2 &#8211; Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o (Ommar Motta)<br \/>\n3 &#8211; Vai Pra Mudar o Brasil (Daniel Saavedra)<br \/>\n4 &#8211; Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M) (Renato Villa\u00e7a e Jo\u00e3o Bas\u00edlio)<\/p>\n<p>Lado B<br \/>\n1 &#8211; Ent\u00e3o Brilha (Bloco Ent\u00e3o Brilha)<br \/>\n2 &#8211; Aflorou (Bloco Pena de Pav\u00e3o de Krishna)<br \/>\n3 &#8211; Bloco Morer\u00e9 (MR12)<br \/>\n4 &#8211; Filhos de Tcha Tcha (LG Lopes, Jos\u00e9 Luis Braga, Fl\u00e1via Mafra e Yuri Vellasco)<br \/>\n5 &#8211; Marchinha do Manjeric\u00e3o (Bloco do Manjeric\u00e3o)<\/p>\n<p>Lado C<br \/>\n1 &#8211; Coxinha da Madrasta (Flavio Henrique e Juliana Perdig\u00e3o)<br \/>\n2 &#8211; Imagina na Copa (Guto Borges, Matheus Rocha e Daniel Inglesias)<br \/>\n3 &#8211; O Baile do P\u00f3 Royal (Alfredo Jackson, Jo\u00edlson Cacha\u00e7a e Thiago Dibeto)<br \/>\n4 &#8211; Solta o Seu Toin (Mauro Bainha)<br \/>\n5 &#8211; Homenagem ao Manja Rolha (Gustavo da Maced\u00f4nia, Jo\u00e3o Fialho e Marcos Frederico)<\/p>\n<p>Lado D<br \/>\n1 \u2013 Solte Seu Sorriso Maroto (Bloco do Peixoto)<br \/>\n2 &#8211; Mam\u00e1 na Vaca (Bloco Mam\u00e1 na Vaca)<br \/>\n3 &#8211; Dizem que a Tet\u00ea \u00e9 uma Santa (Omar Mota)<br \/>\n4 &#8211; O Carnaval N\u00e3o Tem Fim (Rafael Fares e Rafael Ludicanti)<br \/>\nFaixa B\u00f4nus: Apocalipse do Amor (Dead Lover&#8217;s Twisted Heart)<\/p>\n<p>Olhando para tr\u00e1s parece que faz tempo. Muitos anos, talvez d\u00e9cadas, mas em verdade trata-se de um pouco mais de meia d\u00e9cada. Quando qualquer cidad\u00e3o de Belo Horizonte, por mais bem intencionado e amante da folia momesca que fosse, iria lhe afirmar seguro: \u201cBH? Carnaval em BH? De maneira alguma, aqui n\u00e3o tem carnaval\u201d. Explico. 2009 era um ano especialmente triste por aqui. Parecia culminar ali uma s\u00e9rie de ac\u00famulos e golpes \u00e0 vida p\u00fablica da cidade que traziam \u00e0 tona a imagem apagada de uma cidade empobrecida dos seus espa\u00e7os de conv\u00edvio (ruas, pra\u00e7as), marcada por proibi\u00e7\u00f5es de toda ordem (pipoqueiros, ambulantes, bancos de pra\u00e7a), e verticaliza\u00e7\u00f5es de toda natureza. Era o triunfo inquestion\u00e1vel dos autom\u00f3veis, das vias rodovi\u00e1rias, dos infind\u00e1veis viadutos. E a festa de rua, a alegria do carnaval por exemplo, passavam literalmente ao largo daqui. O que havia restado resistia na forma de desfiles de blocos caricatos, alguns poucos blocos de rua e escolas de samba, que como nas trag\u00e9dias gregas, haviam sido simbolicamente expulsos da p\u00f3lis, tendo sido levados a acontecer fora da cidade.<\/p>\n<p>Mas houve algo da ordem de um \u201cterremoto clandestino\u201d que se passou por volta do mesmo 2009. Foi o ano do decreto que proibia \u201ca realiza\u00e7\u00e3o de eventos de qualquer natureza\u201d na principal pra\u00e7a da cidade que gerou as articula\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da Praia da Esta\u00e7\u00e3o; da consolida\u00e7\u00e3o do Duelo de MCs sob o Viaduto Santa Tereza; e do in\u00edcio de uma das mais importantes ocupa\u00e7\u00f5es urbanas da cidade, a Dandara no bairro C\u00e9u Azul. \u00c9 ainda o ano que marca o ressurgimento (ou a insurg\u00eancia) dos blocos de rua da cidade. Ali pelo bairro Sta. Efig\u00eania j\u00e1 pod\u00edamos encontrar os blocos do Peixoto e Approach, e na Serra o Tico-Tico Serra Copo. No ano seguinte (2010) j\u00e1 atingimos a fa\u00e7anha de ter um bloco por dia, incluindo a\u00ed o Mam\u00e1 na Vaca no bairro Sto. Ant\u00f4nio e a Tet\u00ea a Santa, em Sta. Tereza, seguidos pela estreia do Bloco da Praia. Nesse ano o Samba Queixinho fez seu primeiro desfile, na ocasi\u00e3o junto ao Tico-tico, seguidos do Filhos de Tcha Tcha na segunda-feira e o \u201cveterano\u201d Peixoto ganhou mais uma vez a P\u00e7a. Floriano Peixoto no dia seguinte. No s\u00e1bado j\u00e1 se fazia o encontro de blocos Vira o Santo, que entoava finalmente: \u201cvira o santo meu bem, carnaval s\u00f3 no ano que vem!\u201d. Pois eis que no ano seguinte, 2011, al\u00e9m de muita chuva, ter\u00edamos o Ent\u00e3o, Brilha! saindo com alguns poucos integrantes pela rua Guaicurus, a estreia do Bloco Morer\u00e9, da Alcova Libertina e do Bloco do Manjeric\u00e3o, assim como tantos outros blocos que descortinaram um mundo novo e festivo, que caminha hoje a pleno vapor pelas ruas da cidade. Mas vale nos atermos ao fato de que j\u00e1 em 2010 parecia ter se desenhado n\u00e3o um carnaval (afinal o carnaval \u00e9 a marca dos muitos, e por isso \u00e9 uma cultura e uma tradi\u00e7\u00e3o muito maior), mas um pequeno percurso inaugural, uma narrativa re-fundadora que serviu de territ\u00f3rio, de terreno, e permitiu que a festa avan\u00e7asse, se desdobrasse e se derramasse \u201csem fim\u201d pelas ladeiras de Bellot. E \u00e9 sobre esse per\u00edodo que falamos neste disco.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso perceber \u2013 afinal \u00e9 esse o objeto da presente colet\u00e2nea &#8211; que esse movimento foi acompanhado muito de perto por uma enxurrada de composi\u00e7\u00f5es atreladas ao carnaval. Era uma brincadeira \u00e0 \u00e9poca: para se fazer um bloco \u00e9 preciso apenas um estandarte e um hino. Fato \u00e9 que quase todos os blocos que surgiram nesse bojo tiveram marchas ou cantos (v\u00e1rios deles presentes nesta colet\u00e2nea) que al\u00e9m de definirem sua toada, lhes eram deliciosamente profiss\u00f5es de f\u00e9: \u201cesse \u00e9 nosso lema, gente \u00e9 pr\u00e1 brilhar!\u201d, \u201cchuta a fam\u00edlia mineira!\u201d, \u201cabre alas pra ela passar, que hoje eu quero mamar\u201d ou ainda \u201cmilagre mesmo minha santa, \u00e9 BH ter carnaval!\u201d. Vale lembrar que, curiosamente, nesse mesmo per\u00edodo foram as marchinhas que retornaram como uma l\u00edngua ao mesmo tempo ancestral e atual do carnaval, o que certamente culminou no surgimento, em 2012, do Concurso Mestre Jonas de Marchinas de Carnaval, ainda hoje canalizador de grande parte dessas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E se historicamente as marchinhas guardam essa cr\u00f4nica, essa verdadeira l\u00edngua de rua da vida brasileira &#8211; recheada de sarcasmo e opini\u00e3o pol\u00edtica &#8211; , \u00e9 importante lembrar que, enquanto f\u00f3rmula simples, modesta, aberta, elas foram capazes de se adaptarem a diversos cen\u00e1rios, vozes e \u00e9pocas: \u201cM\u00fasica de corpos soltos, sexualizados, em tudo oposta \u00e0 perfeita execu\u00e7\u00e3o, exige de quem a comp\u00f5e mod\u00e9stia. Mod\u00e9stia da entrega a um g\u00eanero no qual a originalidade musical se v\u00ea reduzida ao compartilhamento de um conjunto de melodia simples dispon\u00edvel ao pl\u00e1gio alegre de muitas gera\u00e7\u00f5es. (Purgado de toda a pretens\u00e3o \u00e0 genialidade) Mod\u00e9stia de se limitar a letra \u00e0 extens\u00e3o daquilo que o mais b\u00eabado dos foli\u00f5es \u00e9 capaz de lembrar ou de aceitar que apenas alguns versos chegaram intactos na multid\u00e3o\u201d como explica um dos compositores da atual compila\u00e7\u00e3o, Miguel Duarte. Amplificada pela m\u00e1quina do povo, estas can\u00e7\u00f5es foram em grande medida a voz compartilhada e o tom da hist\u00f3ria que contamos.<\/p>\n<p>Ou seja, por aqui o prefeito e seu p\u00e1lido plano de cidade nunca foram poupados, ao contr\u00e1rio, sua imagem de p\u00e9ssimo pol\u00edtico \u00e9 uma das mais c\u00e9lebres personas do carnaval (Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o, Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M), Vai Pra Mudar o Brasil), mas mais que isso, a opini\u00e3o pol\u00edtica parece, por motivos \u00f3bvios, ser uma esp\u00e9cie de leitmotiv dessa composi\u00e7\u00e3o de carnaval belo horizontina (basta ver ainda hoje a reverbera\u00e7\u00e3o nas ruas de Coxinha da Madrasta, Imagina na Copa e O Baile do P\u00f3 Royal vencedoras do concurso citado acima). Tudo isso somado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de trocadilhos e chistes populares (Solta o seu Toin e Homenagem ao Manja Rolha). Vale lembrar que para al\u00e9m das marchinhas, outros estilos musicais de acentos diversos fazem parte hoje dessa linguagem musical carnavalesca, e se o Unidos do Samba Queixinho \u00e9 hoje uma escola e uma refer\u00eancia no samba, podemos ver ainda a marcante presen\u00e7a do samba-reagge (aqui representado pelo Ent\u00e3o, Brilha!), assim como o Ijex\u00e1 (capitaneado pelo transcendental Pena de Pav\u00e3o de Krishna) e at\u00e9 o groove funk do bloco Chama o S\u00edndico.<\/p>\n<p>Mas vale dizer, o que apresentamos aqui n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica hist\u00f3ria poss\u00edvel desse carnaval. Existem dezenas, centenas de composi\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias, fatos que se perderam ou sequer foram registrados. A todo ano diversas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas e tamb\u00e9m se perdem. E por certo n\u00e3o v\u00e3o parar de surgir a cada carnaval. Este \u00e9 apenas um percurso que propomos. 2009, quando sa\u00edmos entoando algumas marchinhas pelas ruas da cidade, alegres e inconsequentes, carregando desde ent\u00e3o os estandartes do Bloco do Peixoto e Tico-Tico Serra Copo, parece hoje um ponto distante no tempo. N\u00f3s que l\u00e1 est\u00e1vamos, quando olhamos parec\u00edamos at\u00e9 mesmo outras pessoas e esta capital, ao menos culturalmente, guardava sim ares de uma outra cidade. E talvez por isso hoje estejamos aqui, juntando desde j\u00e1 cacos de hist\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es, imagens desse verdadeiro turbilh\u00e3o que n\u00e3o cessou, e avan\u00e7a cada dia mais e nos lega, desde j\u00e1, uma mem\u00f3ria, talvez, de um dos per\u00edodos mais ricos da hist\u00f3ria recente da cidade.<\/p>\n<p>Guto Borges, m\u00fasico e historiador.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":66205,"template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[108,111,122,97],"product_tag":[],"class_list":{"0":"post-66200","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-lancamentos","7":"product_cat-destaque","8":"product_cat-musica-mineira-em-vinil","9":"product_cat-lp","11":"first","12":"instock","13":"taxable","14":"shipping-taxable","15":"purchasable","16":"product-type-simple"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Deita no Cimento! - M\u00fasicas do Carnaval de Rua de Belo Horizonte 2009-14 - Vinyl Land Records<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Deita no Cimento! - M\u00fasicas do Carnaval de Rua de Belo Horizonte 2009-14 - Vinyl Land Records\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"[:pb]https:\/\/soundcloud.com\/vinyl-land-records\/sets\/deita-no-cimento-m-sicas-do  Double LP, Capa Gatefold  Lado A 1 - Marcha da Alcova (Rafael Ludicanti e Bloco da Alcova Libertina) 2 - Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o (Ommar Motta) 3 - Vai Pra Mudar o Brasil (Daniel Saavedra) 4 - Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M) (Renato Villa\u00e7a e Jo\u00e3o Bas\u00edlio)  Lado B 1 - Ent\u00e3o Brilha (Bloco Ent\u00e3o Brilha) 2 - Aflorou (Bloco Pena de Pav\u00e3o de Krishna) 3 - Bloco Morer\u00e9 (MR12) 4 - Filhos de Tcha Tcha (LG Lopes, Jos\u00e9 Luis Braga, Fl\u00e1via Mafra e Yuri Vellasco) 5 - Marchinha do Manjeric\u00e3o (Bloco do Manjeric\u00e3o)  Lado C 1 - Coxinha da Madrasta (Flavio Henrique e Juliana Perdig\u00e3o) 2 - Imagina na Copa (Guto Borges, Matheus Rocha e Daniel Inglesias) 3 - O Baile do P\u00f3 Royal (Alfredo Jackson, Jo\u00edlson Cacha\u00e7a e Thiago Dibeto) 4 - Solta o Seu Toin (Mauro Bainha) 5 - Homenagem ao Manja Rolha (Gustavo da Maced\u00f4nia, Jo\u00e3o Fialho e Marcos Frederico)  Lado D 1 \u2013 Solte Seu Sorriso Maroto (Bloco do Peixoto) 2 - Mam\u00e1 na Vaca (Bloco Mam\u00e1 na Vaca) 3 - Dizem que a Tet\u00ea \u00e9 uma Santa (Omar Mota) 4 - O Carnaval N\u00e3o Tem Fim (Rafael Fares e Rafael Ludicanti) Faixa B\u00f4nus: Apocalipse do Amor (Dead Lover&#039;s Twisted Heart)  Olhando para tr\u00e1s parece que faz tempo. Muitos anos, talvez d\u00e9cadas, mas em verdade trata-se de um pouco mais de meia d\u00e9cada. Quando qualquer cidad\u00e3o de Belo Horizonte, por mais bem intencionado e amante da folia momesca que fosse, iria lhe afirmar seguro: \u201cBH? Carnaval em BH? De maneira alguma, aqui n\u00e3o tem carnaval\u201d. Explico. 2009 era um ano especialmente triste por aqui. Parecia culminar ali uma s\u00e9rie de ac\u00famulos e golpes \u00e0 vida p\u00fablica da cidade que traziam \u00e0 tona a imagem apagada de uma cidade empobrecida dos seus espa\u00e7os de conv\u00edvio (ruas, pra\u00e7as), marcada por proibi\u00e7\u00f5es de toda ordem (pipoqueiros, ambulantes, bancos de pra\u00e7a), e verticaliza\u00e7\u00f5es de toda natureza. Era o triunfo inquestion\u00e1vel dos autom\u00f3veis, das vias rodovi\u00e1rias, dos infind\u00e1veis viadutos. E a festa de rua, a alegria do carnaval por exemplo, passavam literalmente ao largo daqui. O que havia restado resistia na forma de desfiles de blocos caricatos, alguns poucos blocos de rua e escolas de samba, que como nas trag\u00e9dias gregas, haviam sido simbolicamente expulsos da p\u00f3lis, tendo sido levados a acontecer fora da cidade.  Mas houve algo da ordem de um \u201cterremoto clandestino\u201d que se passou por volta do mesmo 2009. Foi o ano do decreto que proibia \u201ca realiza\u00e7\u00e3o de eventos de qualquer natureza\u201d na principal pra\u00e7a da cidade que gerou as articula\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da Praia da Esta\u00e7\u00e3o; da consolida\u00e7\u00e3o do Duelo de MCs sob o Viaduto Santa Tereza; e do in\u00edcio de uma das mais importantes ocupa\u00e7\u00f5es urbanas da cidade, a Dandara no bairro C\u00e9u Azul. \u00c9 ainda o ano que marca o ressurgimento (ou a insurg\u00eancia) dos blocos de rua da cidade. Ali pelo bairro Sta. Efig\u00eania j\u00e1 pod\u00edamos encontrar os blocos do Peixoto e Approach, e na Serra o Tico-Tico Serra Copo. No ano seguinte (2010) j\u00e1 atingimos a fa\u00e7anha de ter um bloco por dia, incluindo a\u00ed o Mam\u00e1 na Vaca no bairro Sto. Ant\u00f4nio e a Tet\u00ea a Santa, em Sta. Tereza, seguidos pela estreia do Bloco da Praia. Nesse ano o Samba Queixinho fez seu primeiro desfile, na ocasi\u00e3o junto ao Tico-tico, seguidos do Filhos de Tcha Tcha na segunda-feira e o \u201cveterano\u201d Peixoto ganhou mais uma vez a P\u00e7a. Floriano Peixoto no dia seguinte. No s\u00e1bado j\u00e1 se fazia o encontro de blocos Vira o Santo, que entoava finalmente: \u201cvira o santo meu bem, carnaval s\u00f3 no ano que vem!\u201d. Pois eis que no ano seguinte, 2011, al\u00e9m de muita chuva, ter\u00edamos o Ent\u00e3o, Brilha! saindo com alguns poucos integrantes pela rua Guaicurus, a estreia do Bloco Morer\u00e9, da Alcova Libertina e do Bloco do Manjeric\u00e3o, assim como tantos outros blocos que descortinaram um mundo novo e festivo, que caminha hoje a pleno vapor pelas ruas da cidade. Mas vale nos atermos ao fato de que j\u00e1 em 2010 parecia ter se desenhado n\u00e3o um carnaval (afinal o carnaval \u00e9 a marca dos muitos, e por isso \u00e9 uma cultura e uma tradi\u00e7\u00e3o muito maior), mas um pequeno percurso inaugural, uma narrativa re-fundadora que serviu de territ\u00f3rio, de terreno, e permitiu que a festa avan\u00e7asse, se desdobrasse e se derramasse \u201csem fim\u201d pelas ladeiras de Bellot. E \u00e9 sobre esse per\u00edodo que falamos neste disco.  \u00c9 curioso perceber \u2013 afinal \u00e9 esse o objeto da presente colet\u00e2nea - que esse movimento foi acompanhado muito de perto por uma enxurrada de composi\u00e7\u00f5es atreladas ao carnaval. Era uma brincadeira \u00e0 \u00e9poca: para se fazer um bloco \u00e9 preciso apenas um estandarte e um hino. Fato \u00e9 que quase todos os blocos que surgiram nesse bojo tiveram marchas ou cantos (v\u00e1rios deles presentes nesta colet\u00e2nea) que al\u00e9m de definirem sua toada, lhes eram deliciosamente profiss\u00f5es de f\u00e9: \u201cesse \u00e9 nosso lema, gente \u00e9 pr\u00e1 brilhar!\u201d, \u201cchuta a fam\u00edlia mineira!\u201d, \u201cabre alas pra ela passar, que hoje eu quero mamar\u201d ou ainda \u201cmilagre mesmo minha santa, \u00e9 BH ter carnaval!\u201d. Vale lembrar que, curiosamente, nesse mesmo per\u00edodo foram as marchinhas que retornaram como uma l\u00edngua ao mesmo tempo ancestral e atual do carnaval, o que certamente culminou no surgimento, em 2012, do Concurso Mestre Jonas de Marchinas de Carnaval, ainda hoje canalizador de grande parte dessas composi\u00e7\u00f5es.  E se historicamente as marchinhas guardam essa cr\u00f4nica, essa verdadeira l\u00edngua de rua da vida brasileira - recheada de sarcasmo e opini\u00e3o pol\u00edtica - , \u00e9 importante lembrar que, enquanto f\u00f3rmula simples, modesta, aberta, elas foram capazes de se adaptarem a diversos cen\u00e1rios, vozes e \u00e9pocas: \u201cM\u00fasica de corpos soltos, sexualizados, em tudo oposta \u00e0 perfeita execu\u00e7\u00e3o, exige de quem a comp\u00f5e mod\u00e9stia. Mod\u00e9stia da entrega a um g\u00eanero no qual a originalidade musical se v\u00ea reduzida ao compartilhamento de um conjunto de melodia simples dispon\u00edvel ao pl\u00e1gio alegre de muitas gera\u00e7\u00f5es. (Purgado de toda a pretens\u00e3o \u00e0 genialidade) Mod\u00e9stia de se limitar a letra \u00e0 extens\u00e3o daquilo que o mais b\u00eabado dos foli\u00f5es \u00e9 capaz de lembrar ou de aceitar que apenas alguns versos chegaram intactos na multid\u00e3o\u201d como explica um dos compositores da atual compila\u00e7\u00e3o, Miguel Duarte. Amplificada pela m\u00e1quina do povo, estas can\u00e7\u00f5es foram em grande medida a voz compartilhada e o tom da hist\u00f3ria que contamos.  Ou seja, por aqui o prefeito e seu p\u00e1lido plano de cidade nunca foram poupados, ao contr\u00e1rio, sua imagem de p\u00e9ssimo pol\u00edtico \u00e9 uma das mais c\u00e9lebres personas do carnaval (Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o, Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M), Vai Pra Mudar o Brasil), mas mais que isso, a opini\u00e3o pol\u00edtica parece, por motivos \u00f3bvios, ser uma esp\u00e9cie de leitmotiv dessa composi\u00e7\u00e3o de carnaval belo horizontina (basta ver ainda hoje a reverbera\u00e7\u00e3o nas ruas de Coxinha da Madrasta, Imagina na Copa e O Baile do P\u00f3 Royal vencedoras do concurso citado acima). Tudo isso somado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de trocadilhos e chistes populares (Solta o seu Toin e Homenagem ao Manja Rolha). Vale lembrar que para al\u00e9m das marchinhas, outros estilos musicais de acentos diversos fazem parte hoje dessa linguagem musical carnavalesca, e se o Unidos do Samba Queixinho \u00e9 hoje uma escola e uma refer\u00eancia no samba, podemos ver ainda a marcante presen\u00e7a do samba-reagge (aqui representado pelo Ent\u00e3o, Brilha!), assim como o Ijex\u00e1 (capitaneado pelo transcendental Pena de Pav\u00e3o de Krishna) e at\u00e9 o groove funk do bloco Chama o S\u00edndico.  Mas vale dizer, o que apresentamos aqui n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica hist\u00f3ria poss\u00edvel desse carnaval. Existem dezenas, centenas de composi\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias, fatos que se perderam ou sequer foram registrados. A todo ano diversas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas e tamb\u00e9m se perdem. E por certo n\u00e3o v\u00e3o parar de surgir a cada carnaval. Este \u00e9 apenas um percurso que propomos. 2009, quando sa\u00edmos entoando algumas marchinhas pelas ruas da cidade, alegres e inconsequentes, carregando desde ent\u00e3o os estandartes do Bloco do Peixoto e Tico-Tico Serra Copo, parece hoje um ponto distante no tempo. N\u00f3s que l\u00e1 est\u00e1vamos, quando olhamos parec\u00edamos at\u00e9 mesmo outras pessoas e esta capital, ao menos culturalmente, guardava sim ares de uma outra cidade. E talvez por isso hoje estejamos aqui, juntando desde j\u00e1 cacos de hist\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es, imagens desse verdadeiro turbilh\u00e3o que n\u00e3o cessou, e avan\u00e7a cada dia mais e nos lega, desde j\u00e1, uma mem\u00f3ria, talvez, de um dos per\u00edodos mais ricos da hist\u00f3ria recente da cidade.  Guto Borges, m\u00fasico e historiador.[:en]https:\/\/soundcloud.com\/vinyl-land-records\/sets\/deita-no-cimento-m-sicas-do  Double LP, Gatefold Sleeve  Lado A 1 - Marcha da Alcova (Rafael Ludicanti e Bloco da Alcova Libertina) 2 - Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o (Ommar Motta) 3 - Vai Pra Mudar o Brasil (Daniel Saavedra) 4 - Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M) (Renato Villa\u00e7a e Jo\u00e3o Bas\u00edlio)  Lado B 1 - Ent\u00e3o Brilha (Bloco Ent\u00e3o Brilha) 2 - Aflorou (Bloco Pena de Pav\u00e3o de Krishna) 3 - Bloco Morer\u00e9 (MR12) 4 - Filhos de Tcha Tcha (LG Lopes, Jos\u00e9 Luis Braga, Fl\u00e1via Mafra e Yuri Vellasco) 5 - Marchinha do Manjeric\u00e3o (Bloco do Manjeric\u00e3o)  Lado C 1 - Coxinha da Madrasta (Flavio Henrique e Juliana Perdig\u00e3o) 2 - Imagina na Copa (Guto Borges, Matheus Rocha e Daniel Inglesias) 3 - O Baile do P\u00f3 Royal (Alfredo Jackson, Jo\u00edlson Cacha\u00e7a e Thiago Dibeto) 4 - Solta o Seu Toin (Mauro Bainha) 5 - Homenagem ao Manja Rolha (Gustavo da Maced\u00f4nia, Jo\u00e3o Fialho e Marcos Frederico)  Lado D 1 \u2013 Solte Seu Sorriso Maroto (Bloco do Peixoto) 2 - Mam\u00e1 na Vaca (Bloco Mam\u00e1 na Vaca) 3 - Dizem que a Tet\u00ea \u00e9 uma Santa (Omar Mota) 4 - O Carnaval N\u00e3o Tem Fim (Rafael Fares e Rafael Ludicanti) Faixa B\u00f4nus: Apocalipse do Amor (Dead Lover&#039;s Twisted Heart)  Olhando para tr\u00e1s parece que faz tempo. Muitos anos, talvez d\u00e9cadas, mas em verdade trata-se de um pouco mais de meia d\u00e9cada. Quando qualquer cidad\u00e3o de Belo Horizonte, por mais bem intencionado e amante da folia momesca que fosse, iria lhe afirmar seguro: \u201cBH? Carnaval em BH? De maneira alguma, aqui n\u00e3o tem carnaval\u201d. Explico. 2009 era um ano especialmente triste por aqui. Parecia culminar ali uma s\u00e9rie de ac\u00famulos e golpes \u00e0 vida p\u00fablica da cidade que traziam \u00e0 tona a imagem apagada de uma cidade empobrecida dos seus espa\u00e7os de conv\u00edvio (ruas, pra\u00e7as), marcada por proibi\u00e7\u00f5es de toda ordem (pipoqueiros, ambulantes, bancos de pra\u00e7a), e verticaliza\u00e7\u00f5es de toda natureza. Era o triunfo inquestion\u00e1vel dos autom\u00f3veis, das vias rodovi\u00e1rias, dos infind\u00e1veis viadutos. E a festa de rua, a alegria do carnaval por exemplo, passavam literalmente ao largo daqui. O que havia restado resistia na forma de desfiles de blocos caricatos, alguns poucos blocos de rua e escolas de samba, que como nas trag\u00e9dias gregas, haviam sido simbolicamente expulsos da p\u00f3lis, tendo sido levados a acontecer fora da cidade.  Mas houve algo da ordem de um \u201cterremoto clandestino\u201d que se passou por volta do mesmo 2009. Foi o ano do decreto que proibia \u201ca realiza\u00e7\u00e3o de eventos de qualquer natureza\u201d na principal pra\u00e7a da cidade que gerou as articula\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da Praia da Esta\u00e7\u00e3o; da consolida\u00e7\u00e3o do Duelo de MCs sob o Viaduto Santa Tereza; e do in\u00edcio de uma das mais importantes ocupa\u00e7\u00f5es urbanas da cidade, a Dandara no bairro C\u00e9u Azul. \u00c9 ainda o ano que marca o ressurgimento (ou a insurg\u00eancia) dos blocos de rua da cidade. Ali pelo bairro Sta. Efig\u00eania j\u00e1 pod\u00edamos encontrar os blocos do Peixoto e Approach, e na Serra o Tico-Tico Serra Copo. No ano seguinte (2010) j\u00e1 atingimos a fa\u00e7anha de ter um bloco por dia, incluindo a\u00ed o Mam\u00e1 na Vaca no bairro Sto. Ant\u00f4nio e a Tet\u00ea a Santa, em Sta. Tereza, seguidos pela estreia do Bloco da Praia. Nesse ano o Samba Queixinho fez seu primeiro desfile, na ocasi\u00e3o junto ao Tico-tico, seguidos do Filhos de Tcha Tcha na segunda-feira e o \u201cveterano\u201d Peixoto ganhou mais uma vez a P\u00e7a. Floriano Peixoto no dia seguinte. No s\u00e1bado j\u00e1 se fazia o encontro de blocos Vira o Santo, que entoava finalmente: \u201cvira o santo meu bem, carnaval s\u00f3 no ano que vem!\u201d. Pois eis que no ano seguinte, 2011, al\u00e9m de muita chuva, ter\u00edamos o Ent\u00e3o, Brilha! saindo com alguns poucos integrantes pela rua Guaicurus, a estreia do Bloco Morer\u00e9, da Alcova Libertina e do Bloco do Manjeric\u00e3o, assim como tantos outros blocos que descortinaram um mundo novo e festivo, que caminha hoje a pleno vapor pelas ruas da cidade. Mas vale nos atermos ao fato de que j\u00e1 em 2010 parecia ter se desenhado n\u00e3o um carnaval (afinal o carnaval \u00e9 a marca dos muitos, e por isso \u00e9 uma cultura e uma tradi\u00e7\u00e3o muito maior), mas um pequeno percurso inaugural, uma narrativa re-fundadora que serviu de territ\u00f3rio, de terreno, e permitiu que a festa avan\u00e7asse, se desdobrasse e se derramasse \u201csem fim\u201d pelas ladeiras de Bellot. E \u00e9 sobre esse per\u00edodo que falamos neste disco.  \u00c9 curioso perceber \u2013 afinal \u00e9 esse o objeto da presente colet\u00e2nea - que esse movimento foi acompanhado muito de perto por uma enxurrada de composi\u00e7\u00f5es atreladas ao carnaval. Era uma brincadeira \u00e0 \u00e9poca: para se fazer um bloco \u00e9 preciso apenas um estandarte e um hino. Fato \u00e9 que quase todos os blocos que surgiram nesse bojo tiveram marchas ou cantos (v\u00e1rios deles presentes nesta colet\u00e2nea) que al\u00e9m de definirem sua toada, lhes eram deliciosamente profiss\u00f5es de f\u00e9: \u201cesse \u00e9 nosso lema, gente \u00e9 pr\u00e1 brilhar!\u201d, \u201cchuta a fam\u00edlia mineira!\u201d, \u201cabre alas pra ela passar, que hoje eu quero mamar\u201d ou ainda \u201cmilagre mesmo minha santa, \u00e9 BH ter carnaval!\u201d. Vale lembrar que, curiosamente, nesse mesmo per\u00edodo foram as marchinhas que retornaram como uma l\u00edngua ao mesmo tempo ancestral e atual do carnaval, o que certamente culminou no surgimento, em 2012, do Concurso Mestre Jonas de Marchinas de Carnaval, ainda hoje canalizador de grande parte dessas composi\u00e7\u00f5es.  E se historicamente as marchinhas guardam essa cr\u00f4nica, essa verdadeira l\u00edngua de rua da vida brasileira - recheada de sarcasmo e opini\u00e3o pol\u00edtica - , \u00e9 importante lembrar que, enquanto f\u00f3rmula simples, modesta, aberta, elas foram capazes de se adaptarem a diversos cen\u00e1rios, vozes e \u00e9pocas: \u201cM\u00fasica de corpos soltos, sexualizados, em tudo oposta \u00e0 perfeita execu\u00e7\u00e3o, exige de quem a comp\u00f5e mod\u00e9stia. Mod\u00e9stia da entrega a um g\u00eanero no qual a originalidade musical se v\u00ea reduzida ao compartilhamento de um conjunto de melodia simples dispon\u00edvel ao pl\u00e1gio alegre de muitas gera\u00e7\u00f5es. (Purgado de toda a pretens\u00e3o \u00e0 genialidade) Mod\u00e9stia de se limitar a letra \u00e0 extens\u00e3o daquilo que o mais b\u00eabado dos foli\u00f5es \u00e9 capaz de lembrar ou de aceitar que apenas alguns versos chegaram intactos na multid\u00e3o\u201d como explica um dos compositores da atual compila\u00e7\u00e3o, Miguel Duarte. Amplificada pela m\u00e1quina do povo, estas can\u00e7\u00f5es foram em grande medida a voz compartilhada e o tom da hist\u00f3ria que contamos.  Ou seja, por aqui o prefeito e seu p\u00e1lido plano de cidade nunca foram poupados, ao contr\u00e1rio, sua imagem de p\u00e9ssimo pol\u00edtico \u00e9 uma das mais c\u00e9lebres personas do carnaval (Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o, Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M), Vai Pra Mudar o Brasil), mas mais que isso, a opini\u00e3o pol\u00edtica parece, por motivos \u00f3bvios, ser uma esp\u00e9cie de leitmotiv dessa composi\u00e7\u00e3o de carnaval belo horizontina (basta ver ainda hoje a reverbera\u00e7\u00e3o nas ruas de Coxinha da Madrasta, Imagina na Copa e O Baile do P\u00f3 Royal vencedoras do concurso citado acima). Tudo isso somado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de trocadilhos e chistes populares (Solta o seu Toin e Homenagem ao Manja Rolha). Vale lembrar que para al\u00e9m das marchinhas, outros estilos musicais de acentos diversos fazem parte hoje dessa linguagem musical carnavalesca, e se o Unidos do Samba Queixinho \u00e9 hoje uma escola e uma refer\u00eancia no samba, podemos ver ainda a marcante presen\u00e7a do samba-reagge (aqui representado pelo Ent\u00e3o, Brilha!), assim como o Ijex\u00e1 (capitaneado pelo transcendental Pena de Pav\u00e3o de Krishna) e at\u00e9 o groove funk do bloco Chama o S\u00edndico.  Mas vale dizer, o que apresentamos aqui n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica hist\u00f3ria poss\u00edvel desse carnaval. Existem dezenas, centenas de composi\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias, fatos que se perderam ou sequer foram registrados. A todo ano diversas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas e tamb\u00e9m se perdem. E por certo n\u00e3o v\u00e3o parar de surgir a cada carnaval. Este \u00e9 apenas um percurso que propomos. 2009, quando sa\u00edmos entoando algumas marchinhas pelas ruas da cidade, alegres e inconsequentes, carregando desde ent\u00e3o os estandartes do Bloco do Peixoto e Tico-Tico Serra Copo, parece hoje um ponto distante no tempo. N\u00f3s que l\u00e1 est\u00e1vamos, quando olhamos parec\u00edamos at\u00e9 mesmo outras pessoas e esta capital, ao menos culturalmente, guardava sim ares de uma outra cidade. E talvez por isso hoje estejamos aqui, juntando desde j\u00e1 cacos de hist\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es, imagens desse verdadeiro turbilh\u00e3o que n\u00e3o cessou, e avan\u00e7a cada dia mais e nos lega, desde j\u00e1, uma mem\u00f3ria, talvez, de um dos per\u00edodos mais ricos da hist\u00f3ria recente da cidade.  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O que havia restado resistia na forma de desfiles de blocos caricatos, alguns poucos blocos de rua e escolas de samba, que como nas trag\u00e9dias gregas, haviam sido simbolicamente expulsos da p\u00f3lis, tendo sido levados a acontecer fora da cidade.  Mas houve algo da ordem de um \u201cterremoto clandestino\u201d que se passou por volta do mesmo 2009. Foi o ano do decreto que proibia \u201ca realiza\u00e7\u00e3o de eventos de qualquer natureza\u201d na principal pra\u00e7a da cidade que gerou as articula\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da Praia da Esta\u00e7\u00e3o; da consolida\u00e7\u00e3o do Duelo de MCs sob o Viaduto Santa Tereza; e do in\u00edcio de uma das mais importantes ocupa\u00e7\u00f5es urbanas da cidade, a Dandara no bairro C\u00e9u Azul. \u00c9 ainda o ano que marca o ressurgimento (ou a insurg\u00eancia) dos blocos de rua da cidade. Ali pelo bairro Sta. Efig\u00eania j\u00e1 pod\u00edamos encontrar os blocos do Peixoto e Approach, e na Serra o Tico-Tico Serra Copo. No ano seguinte (2010) j\u00e1 atingimos a fa\u00e7anha de ter um bloco por dia, incluindo a\u00ed o Mam\u00e1 na Vaca no bairro Sto. Ant\u00f4nio e a Tet\u00ea a Santa, em Sta. Tereza, seguidos pela estreia do Bloco da Praia. Nesse ano o Samba Queixinho fez seu primeiro desfile, na ocasi\u00e3o junto ao Tico-tico, seguidos do Filhos de Tcha Tcha na segunda-feira e o \u201cveterano\u201d Peixoto ganhou mais uma vez a P\u00e7a. Floriano Peixoto no dia seguinte. No s\u00e1bado j\u00e1 se fazia o encontro de blocos Vira o Santo, que entoava finalmente: \u201cvira o santo meu bem, carnaval s\u00f3 no ano que vem!\u201d. Pois eis que no ano seguinte, 2011, al\u00e9m de muita chuva, ter\u00edamos o Ent\u00e3o, Brilha! saindo com alguns poucos integrantes pela rua Guaicurus, a estreia do Bloco Morer\u00e9, da Alcova Libertina e do Bloco do Manjeric\u00e3o, assim como tantos outros blocos que descortinaram um mundo novo e festivo, que caminha hoje a pleno vapor pelas ruas da cidade. Mas vale nos atermos ao fato de que j\u00e1 em 2010 parecia ter se desenhado n\u00e3o um carnaval (afinal o carnaval \u00e9 a marca dos muitos, e por isso \u00e9 uma cultura e uma tradi\u00e7\u00e3o muito maior), mas um pequeno percurso inaugural, uma narrativa re-fundadora que serviu de territ\u00f3rio, de terreno, e permitiu que a festa avan\u00e7asse, se desdobrasse e se derramasse \u201csem fim\u201d pelas ladeiras de Bellot. E \u00e9 sobre esse per\u00edodo que falamos neste disco.  \u00c9 curioso perceber \u2013 afinal \u00e9 esse o objeto da presente colet\u00e2nea - que esse movimento foi acompanhado muito de perto por uma enxurrada de composi\u00e7\u00f5es atreladas ao carnaval. Era uma brincadeira \u00e0 \u00e9poca: para se fazer um bloco \u00e9 preciso apenas um estandarte e um hino. Fato \u00e9 que quase todos os blocos que surgiram nesse bojo tiveram marchas ou cantos (v\u00e1rios deles presentes nesta colet\u00e2nea) que al\u00e9m de definirem sua toada, lhes eram deliciosamente profiss\u00f5es de f\u00e9: \u201cesse \u00e9 nosso lema, gente \u00e9 pr\u00e1 brilhar!\u201d, \u201cchuta a fam\u00edlia mineira!\u201d, \u201cabre alas pra ela passar, que hoje eu quero mamar\u201d ou ainda \u201cmilagre mesmo minha santa, \u00e9 BH ter carnaval!\u201d. Vale lembrar que, curiosamente, nesse mesmo per\u00edodo foram as marchinhas que retornaram como uma l\u00edngua ao mesmo tempo ancestral e atual do carnaval, o que certamente culminou no surgimento, em 2012, do Concurso Mestre Jonas de Marchinas de Carnaval, ainda hoje canalizador de grande parte dessas composi\u00e7\u00f5es.  E se historicamente as marchinhas guardam essa cr\u00f4nica, essa verdadeira l\u00edngua de rua da vida brasileira - recheada de sarcasmo e opini\u00e3o pol\u00edtica - , \u00e9 importante lembrar que, enquanto f\u00f3rmula simples, modesta, aberta, elas foram capazes de se adaptarem a diversos cen\u00e1rios, vozes e \u00e9pocas: \u201cM\u00fasica de corpos soltos, sexualizados, em tudo oposta \u00e0 perfeita execu\u00e7\u00e3o, exige de quem a comp\u00f5e mod\u00e9stia. Mod\u00e9stia da entrega a um g\u00eanero no qual a originalidade musical se v\u00ea reduzida ao compartilhamento de um conjunto de melodia simples dispon\u00edvel ao pl\u00e1gio alegre de muitas gera\u00e7\u00f5es. (Purgado de toda a pretens\u00e3o \u00e0 genialidade) Mod\u00e9stia de se limitar a letra \u00e0 extens\u00e3o daquilo que o mais b\u00eabado dos foli\u00f5es \u00e9 capaz de lembrar ou de aceitar que apenas alguns versos chegaram intactos na multid\u00e3o\u201d como explica um dos compositores da atual compila\u00e7\u00e3o, Miguel Duarte. Amplificada pela m\u00e1quina do povo, estas can\u00e7\u00f5es foram em grande medida a voz compartilhada e o tom da hist\u00f3ria que contamos.  Ou seja, por aqui o prefeito e seu p\u00e1lido plano de cidade nunca foram poupados, ao contr\u00e1rio, sua imagem de p\u00e9ssimo pol\u00edtico \u00e9 uma das mais c\u00e9lebres personas do carnaval (Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o, Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M), Vai Pra Mudar o Brasil), mas mais que isso, a opini\u00e3o pol\u00edtica parece, por motivos \u00f3bvios, ser uma esp\u00e9cie de leitmotiv dessa composi\u00e7\u00e3o de carnaval belo horizontina (basta ver ainda hoje a reverbera\u00e7\u00e3o nas ruas de Coxinha da Madrasta, Imagina na Copa e O Baile do P\u00f3 Royal vencedoras do concurso citado acima). Tudo isso somado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de trocadilhos e chistes populares (Solta o seu Toin e Homenagem ao Manja Rolha). Vale lembrar que para al\u00e9m das marchinhas, outros estilos musicais de acentos diversos fazem parte hoje dessa linguagem musical carnavalesca, e se o Unidos do Samba Queixinho \u00e9 hoje uma escola e uma refer\u00eancia no samba, podemos ver ainda a marcante presen\u00e7a do samba-reagge (aqui representado pelo Ent\u00e3o, Brilha!), assim como o Ijex\u00e1 (capitaneado pelo transcendental Pena de Pav\u00e3o de Krishna) e at\u00e9 o groove funk do bloco Chama o S\u00edndico.  Mas vale dizer, o que apresentamos aqui n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica hist\u00f3ria poss\u00edvel desse carnaval. Existem dezenas, centenas de composi\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias, fatos que se perderam ou sequer foram registrados. A todo ano diversas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas e tamb\u00e9m se perdem. E por certo n\u00e3o v\u00e3o parar de surgir a cada carnaval. Este \u00e9 apenas um percurso que propomos. 2009, quando sa\u00edmos entoando algumas marchinhas pelas ruas da cidade, alegres e inconsequentes, carregando desde ent\u00e3o os estandartes do Bloco do Peixoto e Tico-Tico Serra Copo, parece hoje um ponto distante no tempo. N\u00f3s que l\u00e1 est\u00e1vamos, quando olhamos parec\u00edamos at\u00e9 mesmo outras pessoas e esta capital, ao menos culturalmente, guardava sim ares de uma outra cidade. E talvez por isso hoje estejamos aqui, juntando desde j\u00e1 cacos de hist\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es, imagens desse verdadeiro turbilh\u00e3o que n\u00e3o cessou, e avan\u00e7a cada dia mais e nos lega, desde j\u00e1, uma mem\u00f3ria, talvez, de um dos per\u00edodos mais ricos da hist\u00f3ria recente da cidade.  Guto Borges, m\u00fasico e historiador.[:en]https:\/\/soundcloud.com\/vinyl-land-records\/sets\/deita-no-cimento-m-sicas-do  Double LP, Gatefold Sleeve  Lado A 1 - Marcha da Alcova (Rafael Ludicanti e Bloco da Alcova Libertina) 2 - Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o (Ommar Motta) 3 - Vai Pra Mudar o Brasil (Daniel Saavedra) 4 - Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M) (Renato Villa\u00e7a e Jo\u00e3o Bas\u00edlio)  Lado B 1 - Ent\u00e3o Brilha (Bloco Ent\u00e3o Brilha) 2 - Aflorou (Bloco Pena de Pav\u00e3o de Krishna) 3 - Bloco Morer\u00e9 (MR12) 4 - Filhos de Tcha Tcha (LG Lopes, Jos\u00e9 Luis Braga, Fl\u00e1via Mafra e Yuri Vellasco) 5 - Marchinha do Manjeric\u00e3o (Bloco do Manjeric\u00e3o)  Lado C 1 - Coxinha da Madrasta (Flavio Henrique e Juliana Perdig\u00e3o) 2 - Imagina na Copa (Guto Borges, Matheus Rocha e Daniel Inglesias) 3 - O Baile do P\u00f3 Royal (Alfredo Jackson, Jo\u00edlson Cacha\u00e7a e Thiago Dibeto) 4 - Solta o Seu Toin (Mauro Bainha) 5 - Homenagem ao Manja Rolha (Gustavo da Maced\u00f4nia, Jo\u00e3o Fialho e Marcos Frederico)  Lado D 1 \u2013 Solte Seu Sorriso Maroto (Bloco do Peixoto) 2 - Mam\u00e1 na Vaca (Bloco Mam\u00e1 na Vaca) 3 - Dizem que a Tet\u00ea \u00e9 uma Santa (Omar Mota) 4 - O Carnaval N\u00e3o Tem Fim (Rafael Fares e Rafael Ludicanti) Faixa B\u00f4nus: Apocalipse do Amor (Dead Lover's Twisted Heart)  Olhando para tr\u00e1s parece que faz tempo. Muitos anos, talvez d\u00e9cadas, mas em verdade trata-se de um pouco mais de meia d\u00e9cada. Quando qualquer cidad\u00e3o de Belo Horizonte, por mais bem intencionado e amante da folia momesca que fosse, iria lhe afirmar seguro: \u201cBH? Carnaval em BH? De maneira alguma, aqui n\u00e3o tem carnaval\u201d. Explico. 2009 era um ano especialmente triste por aqui. Parecia culminar ali uma s\u00e9rie de ac\u00famulos e golpes \u00e0 vida p\u00fablica da cidade que traziam \u00e0 tona a imagem apagada de uma cidade empobrecida dos seus espa\u00e7os de conv\u00edvio (ruas, pra\u00e7as), marcada por proibi\u00e7\u00f5es de toda ordem (pipoqueiros, ambulantes, bancos de pra\u00e7a), e verticaliza\u00e7\u00f5es de toda natureza. Era o triunfo inquestion\u00e1vel dos autom\u00f3veis, das vias rodovi\u00e1rias, dos infind\u00e1veis viadutos. E a festa de rua, a alegria do carnaval por exemplo, passavam literalmente ao largo daqui. O que havia restado resistia na forma de desfiles de blocos caricatos, alguns poucos blocos de rua e escolas de samba, que como nas trag\u00e9dias gregas, haviam sido simbolicamente expulsos da p\u00f3lis, tendo sido levados a acontecer fora da cidade.  Mas houve algo da ordem de um \u201cterremoto clandestino\u201d que se passou por volta do mesmo 2009. Foi o ano do decreto que proibia \u201ca realiza\u00e7\u00e3o de eventos de qualquer natureza\u201d na principal pra\u00e7a da cidade que gerou as articula\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da Praia da Esta\u00e7\u00e3o; da consolida\u00e7\u00e3o do Duelo de MCs sob o Viaduto Santa Tereza; e do in\u00edcio de uma das mais importantes ocupa\u00e7\u00f5es urbanas da cidade, a Dandara no bairro C\u00e9u Azul. \u00c9 ainda o ano que marca o ressurgimento (ou a insurg\u00eancia) dos blocos de rua da cidade. Ali pelo bairro Sta. Efig\u00eania j\u00e1 pod\u00edamos encontrar os blocos do Peixoto e Approach, e na Serra o Tico-Tico Serra Copo. No ano seguinte (2010) j\u00e1 atingimos a fa\u00e7anha de ter um bloco por dia, incluindo a\u00ed o Mam\u00e1 na Vaca no bairro Sto. Ant\u00f4nio e a Tet\u00ea a Santa, em Sta. Tereza, seguidos pela estreia do Bloco da Praia. Nesse ano o Samba Queixinho fez seu primeiro desfile, na ocasi\u00e3o junto ao Tico-tico, seguidos do Filhos de Tcha Tcha na segunda-feira e o \u201cveterano\u201d Peixoto ganhou mais uma vez a P\u00e7a. Floriano Peixoto no dia seguinte. No s\u00e1bado j\u00e1 se fazia o encontro de blocos Vira o Santo, que entoava finalmente: \u201cvira o santo meu bem, carnaval s\u00f3 no ano que vem!\u201d. Pois eis que no ano seguinte, 2011, al\u00e9m de muita chuva, ter\u00edamos o Ent\u00e3o, Brilha! saindo com alguns poucos integrantes pela rua Guaicurus, a estreia do Bloco Morer\u00e9, da Alcova Libertina e do Bloco do Manjeric\u00e3o, assim como tantos outros blocos que descortinaram um mundo novo e festivo, que caminha hoje a pleno vapor pelas ruas da cidade. Mas vale nos atermos ao fato de que j\u00e1 em 2010 parecia ter se desenhado n\u00e3o um carnaval (afinal o carnaval \u00e9 a marca dos muitos, e por isso \u00e9 uma cultura e uma tradi\u00e7\u00e3o muito maior), mas um pequeno percurso inaugural, uma narrativa re-fundadora que serviu de territ\u00f3rio, de terreno, e permitiu que a festa avan\u00e7asse, se desdobrasse e se derramasse \u201csem fim\u201d pelas ladeiras de Bellot. E \u00e9 sobre esse per\u00edodo que falamos neste disco.  \u00c9 curioso perceber \u2013 afinal \u00e9 esse o objeto da presente colet\u00e2nea - que esse movimento foi acompanhado muito de perto por uma enxurrada de composi\u00e7\u00f5es atreladas ao carnaval. Era uma brincadeira \u00e0 \u00e9poca: para se fazer um bloco \u00e9 preciso apenas um estandarte e um hino. Fato \u00e9 que quase todos os blocos que surgiram nesse bojo tiveram marchas ou cantos (v\u00e1rios deles presentes nesta colet\u00e2nea) que al\u00e9m de definirem sua toada, lhes eram deliciosamente profiss\u00f5es de f\u00e9: \u201cesse \u00e9 nosso lema, gente \u00e9 pr\u00e1 brilhar!\u201d, \u201cchuta a fam\u00edlia mineira!\u201d, \u201cabre alas pra ela passar, que hoje eu quero mamar\u201d ou ainda \u201cmilagre mesmo minha santa, \u00e9 BH ter carnaval!\u201d. Vale lembrar que, curiosamente, nesse mesmo per\u00edodo foram as marchinhas que retornaram como uma l\u00edngua ao mesmo tempo ancestral e atual do carnaval, o que certamente culminou no surgimento, em 2012, do Concurso Mestre Jonas de Marchinas de Carnaval, ainda hoje canalizador de grande parte dessas composi\u00e7\u00f5es.  E se historicamente as marchinhas guardam essa cr\u00f4nica, essa verdadeira l\u00edngua de rua da vida brasileira - recheada de sarcasmo e opini\u00e3o pol\u00edtica - , \u00e9 importante lembrar que, enquanto f\u00f3rmula simples, modesta, aberta, elas foram capazes de se adaptarem a diversos cen\u00e1rios, vozes e \u00e9pocas: \u201cM\u00fasica de corpos soltos, sexualizados, em tudo oposta \u00e0 perfeita execu\u00e7\u00e3o, exige de quem a comp\u00f5e mod\u00e9stia. Mod\u00e9stia da entrega a um g\u00eanero no qual a originalidade musical se v\u00ea reduzida ao compartilhamento de um conjunto de melodia simples dispon\u00edvel ao pl\u00e1gio alegre de muitas gera\u00e7\u00f5es. (Purgado de toda a pretens\u00e3o \u00e0 genialidade) Mod\u00e9stia de se limitar a letra \u00e0 extens\u00e3o daquilo que o mais b\u00eabado dos foli\u00f5es \u00e9 capaz de lembrar ou de aceitar que apenas alguns versos chegaram intactos na multid\u00e3o\u201d como explica um dos compositores da atual compila\u00e7\u00e3o, Miguel Duarte. Amplificada pela m\u00e1quina do povo, estas can\u00e7\u00f5es foram em grande medida a voz compartilhada e o tom da hist\u00f3ria que contamos.  Ou seja, por aqui o prefeito e seu p\u00e1lido plano de cidade nunca foram poupados, ao contr\u00e1rio, sua imagem de p\u00e9ssimo pol\u00edtico \u00e9 uma das mais c\u00e9lebres personas do carnaval (Fui Me Banhar na Praia da Esta\u00e7\u00e3o, Marcha da Esta\u00e7\u00e3o (Come\u00e7a com M), Vai Pra Mudar o Brasil), mas mais que isso, a opini\u00e3o pol\u00edtica parece, por motivos \u00f3bvios, ser uma esp\u00e9cie de leitmotiv dessa composi\u00e7\u00e3o de carnaval belo horizontina (basta ver ainda hoje a reverbera\u00e7\u00e3o nas ruas de Coxinha da Madrasta, Imagina na Copa e O Baile do P\u00f3 Royal vencedoras do concurso citado acima). Tudo isso somado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de trocadilhos e chistes populares (Solta o seu Toin e Homenagem ao Manja Rolha). Vale lembrar que para al\u00e9m das marchinhas, outros estilos musicais de acentos diversos fazem parte hoje dessa linguagem musical carnavalesca, e se o Unidos do Samba Queixinho \u00e9 hoje uma escola e uma refer\u00eancia no samba, podemos ver ainda a marcante presen\u00e7a do samba-reagge (aqui representado pelo Ent\u00e3o, Brilha!), assim como o Ijex\u00e1 (capitaneado pelo transcendental Pena de Pav\u00e3o de Krishna) e at\u00e9 o groove funk do bloco Chama o S\u00edndico.  Mas vale dizer, o que apresentamos aqui n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica hist\u00f3ria poss\u00edvel desse carnaval. Existem dezenas, centenas de composi\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias, fatos que se perderam ou sequer foram registrados. A todo ano diversas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas e tamb\u00e9m se perdem. E por certo n\u00e3o v\u00e3o parar de surgir a cada carnaval. Este \u00e9 apenas um percurso que propomos. 2009, quando sa\u00edmos entoando algumas marchinhas pelas ruas da cidade, alegres e inconsequentes, carregando desde ent\u00e3o os estandartes do Bloco do Peixoto e Tico-Tico Serra Copo, parece hoje um ponto distante no tempo. N\u00f3s que l\u00e1 est\u00e1vamos, quando olhamos parec\u00edamos at\u00e9 mesmo outras pessoas e esta capital, ao menos culturalmente, guardava sim ares de uma outra cidade. E talvez por isso hoje estejamos aqui, juntando desde j\u00e1 cacos de hist\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es, imagens desse verdadeiro turbilh\u00e3o que n\u00e3o cessou, e avan\u00e7a cada dia mais e nos lega, desde j\u00e1, uma mem\u00f3ria, talvez, de um dos per\u00edodos mais ricos da hist\u00f3ria recente da cidade.  Guto Borges, m\u00fasico e historiador.[:]","og_url":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/","og_site_name":"Vinyl Land Records","article_modified_time":"2026-03-03T19:02:08+00:00","og_image":[{"width":1869,"height":1893,"url":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Deita-no-Cimento-Capa.jpg","type":"image\/jpeg"}],"twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Est. reading time":"1 minute"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/","url":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/","name":"Deita no Cimento! - M\u00fasicas do Carnaval de Rua de Belo Horizonte 2009-14 - Vinyl Land Records","isPartOf":{"@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Deita-no-Cimento-Capa.jpg","datePublished":"2018-04-25T20:10:51+00:00","dateModified":"2026-03-03T19:02:08+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/#primaryimage","url":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Deita-no-Cimento-Capa.jpg","contentUrl":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Deita-no-Cimento-Capa.jpg","width":1869,"height":1893},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/produto\/deita-no-cimento-musicas-do-carnaval-de-rua-de-belo-horizonte-2009-14\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Shops","item":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/shops\/"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Deita no Cimento! &#8211; M\u00fasicas do Carnaval de Rua de Belo Horizonte 2009-14"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/#website","url":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/","name":"Vinyl Land Records","description":"ONLINE SHOP","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product\/66200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=66200"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=66200"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/shopbrasil.vinyllandrecords.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=66200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}