Iconili – Quintais


R$90,00

“Quintais” (Natura Musical / YB 2019) é, definitivamente, o álbum mais expansivo e marcante em 12 anos de carreira do grupo mineiro Iconili. O trabalho é o primeiro a registrar a chegada da cantora Josi Lopes e da percussionista Chaya Vazquez.

Criado em uma imersão no pequeno distrito de André do Mato Dentro, em Santa Bárbara, na região da Serra da Gandarela, no interior de Minas —, contempla a trajetória da banda, tocando despretensiosamente em seu rock progressivo inicial, reinventando o afrobeat que surgiu nos trabalhos seguintes, mas, acima de tudo, multiplicando os percursos do grupo em sons plurais.

Ao longo de nove faixas, “Quintais” parece, em vários momentos, visitar um Brasil outro e, nele, buscar uma gama que parece infinita nos tons de vermelho em que toca — vermelho do chão desse país, da terra que preenche ares descampados, vermelho até da lama, a lama boa, de argila, água e outras riquezas. É nesse vermelho barro — às vezes seco, às vezes úmido, em outras encharcado — que se constrói o disco, e é a partir desse chão de terra que o som alcança, em vários momentos, um céu onírico, um tanto psicodélico, inconsciente, um tanto orgânico, intuitivo.

Nesse terreno, crescem mantras, evoca-se ancestralidades, e a partir da massa sonora, se chega à África, às Índias (assim, no plural, onde cabem Ásia e Américas do passado, e onde se vê o oriente do presente). Nesse contexto, a voz surge sempre como um canto conectado com o sensível. E a partir dele, acarinha, agride, reza. E faz ecoar a multiplicidade profunda de “Quintais”.

Composta por André Orandi (teclados e sax alto), Chaya Vazquez (percussão), Gustavo Cunha (guitarra e synth), Henrique Staino (sax tenor e soprano), Josi Lopes (voz), João Machala (trombone), Lucas Freitas (sax barítono e clarone), Fernando “Feijão” Monteiro – que veio a substituir Mateus Bahiense (bateria) após a gravação do álbum, Rafa Nunes (percussão), Rafael Mandacaru (guitarra e teremim) e Willian Rosa (baixo), a Iconili combina de forma única a força, as sutilezas e a ancestral energia dos ritmos afro-brasileiros, do rock, do afrobeat, com boas doses de psicodelia, mergulhos e contemplação.